Por décadas, o empresário brasileiro que “virou o jogo” operou sob uma regra de ouro: o lucro da sua empresa (PJ), após pagar os impostos corporativos, era transferido para sua conta pessoal (PF) com zero imposto. Esse benefício, a isenção sobre dividendos, foi o principal motor para a acumulação de riqueza e reinvestimento no país.
Se você é um empresário maduro, com faturamento consolidado, você construiu seu patrimônio baseado nessa regra.
Agora, essa regra está prestes a acabar.
A taxação de dividendos, parte central da Reforma Tributária e das discussões em Brasília, não é mais uma hipótese remota. É uma inevitabilidade com data marcada, provável para 2026. E o impacto no seu bolso será direto, imediato e brutal, a menos que você reorganize sua empresa.
O problema? Sua contabilidade atual, aquela “fria” e “distante”, provavelmente está em silêncio. Ela espera a lei ser publicada para, só então, lhe informar do novo imposto.
Nós, da Império Digital Contabilidade, acreditamos que a contabilidade deve ser proativa, não reativa. A hora de organizar sua empresa não é depois da regra mudar. É agora. Este guia é um mapa de ação sobre como estruturar seus negócios para pagar menos imposto legalmente.
O que muda na taxação
A mudança é simples de entender e dolorosa de calcular. O lucro líquido, que hoje é 100% seu, passará a ter o governo como “sócio” no momento em que você o transfere para sua conta pessoal.
Percentuais (O custo do “novo sócio”)
Embora a alíquota final ainda esteja em debate, as propostas mais realistas que tramitam no Congresso chegam a 10% de retenção na fonte. A CNN Brasil acompanha as atualizações legislativas e detalha como essas propostas evoluem, mas o consenso de mercado já trabalha com 10% como cenário-base.
Impactos diretos (Onde dói)
Vamos traduzir o que 10% significa.
Imagine que sua construtora, clínica ou empresa de serviços apure um lucro líquido de R$ 500.000,00 após um projeto de sucesso.
- Cenário Atual: Você transfere R$ 500.000 para sua conta PF. Você tem R$ 500.000.
- Cenário 2026 (Taxação): Ao transferir os R$ 500.000, a Receita Federal retém 10%. Você paga R$ 50.000,00 em impostos que hoje não existem.
Isso não é apenas um “imposto a mais”. É uma redução direta na sua capacidade de reinvestir, de construir seu patrimônio, de planejar sua sucessão. É um custo que, se não for planejado, vai consumir uma década de crescimento em poucos anos.
Como reorganizar sua empresa a tempo
Se a lei muda em 2026, o planejamento começa em 2025. Não se pode “escapar” da lei futura, mas pode-se planejar para que o impacto dela seja o menor possível. Isso se chama elisão fiscal (planejamento legal), e é o oposto da sonegação (crime).
A reorganização se baseia em três pilares que precisam ser executados por um especialista, não por uma contabilidade “robô”.
Ajustes societários (O alicerce)
É aqui que 90% das empresas que “cresceram desorganizadas” falham. O seu Contrato Social, aquele documento da gaveta, é a sua primeira linha de defesa.
Um especialista irá revisá-lo para:
- Blindar o Pró-Labore: Garantir que seu pró-labore (seu “salário” de sócio) esteja em valor justo de mercado. Com a taxação dos dividendos, muitos terão a tentação de zerar o pró-labore (que paga INSS) e viver só de dividendo (que pagará “só” 10%). Isso é um risco fiscal altíssimo (pejotização) que pode gerar multas milionárias.
- Otimizar a Estrutura: Para uma construtora, por exemplo, a forma como a obra é estruturada muda tudo. A decisão de escolher entre SPE ou SCP para um empreendimento não será apenas uma decisão de risco, mas uma decisão fiscal crucial para isolar e taxar o lucro da forma correta.
- Criar Veículos de Proteção: Este é o momento de estruturar uma Holding Patrimonial ou Familiar. O lucro, em vez de “descer” para o seu CPF (e ser taxado em 10%), pode “subir” para a sua Holding (empresa-cofre) de forma muito mais eficiente, onde ficará protegido para investimentos futuros ou sucessão.
Planejamento de distribuição (A ação mais urgente)
O que acontece com os lucros que sua empresa gerou em 2020, 2021, 2022, 2023 e 2024, mas que você ainda não distribuiu e deixou no caixa da empresa?
Pela regra atual, eles são ISENTOS. Mas se você deixá-los lá e só decidir sacar em 2027, eles serão taxados pela nova regra.
A ação mais urgente de qualquer empresário maduro é:
- Exigir da sua contabilidade um Balanço Patrimonial real que mostre o valor exato dos “Lucros Acumulados”.
- Executar as estratégias de proteção de dividendos agora, deliberando (em ata) a distribuição desses lucros antes da lei mudar.
Você não precisa tirar o dinheiro do caixa, mas você “carimba” legalmente aquele lucro como “isento” pela regra antiga. A contabilidade “robô”, que não tem balanço, não consegue fazer isso.
Cálculos comparativos (A simulação)
Não existe “regime perfeito” para todos. Para o seu negócio, o que será melhor em 2026? Continuar no Lucro Presumido? Migrar para o Lucro Real (onde você pode ter mais despesas para abater)?
A única resposta séria vem de simulações para encontrar o melhor regime. Um especialista irá projetar seu faturamento e custos nos novos cenários de taxação, mostrando em números qual caminho é o mais econômico. A resposta pode ser surpreendente.
Quem mais vai sofrer com a nova regra
A taxação é democrática: ela vai atingir todos os empresários que lucram. Mas alguns nichos, que operam com alta receita e estruturas de PJ, sentirão o impacto de forma mais violenta. Exatamente os clientes que a Império Digital atende.
Médicos PJ (Profissionais da Saúde)
Médicos, dentistas e fisioterapeutas que faturam alto como Pessoa Jurídica (seja em clínica própria ou prestando serviços para hospitais) são, hoje, grandes beneficiários da isenção. Muitos pagam o imposto no Lucro Presumido (ou no Simples, no Fator R) e retiram o resto como lucro isento. A taxação de 10% será um corte direto e profundo no ganho líquido mensal desses profissionais.
Donos de construtora (Incorporadoras)
O setor de construção civil opera por ciclos longos. O dono da incorporadora passa 2-3 anos investindo e assumindo riscos para, no final do empreendimento, ter um lucro milionário. Com a taxação, esse lucro (que é a recompensa pelo risco) será reduzido em 10%. Isso exige uma reorganização imediata em como os empreendimentos são estruturados, tornando as vantagens do RET (Regime Especial de Tributação) ainda mais cruciais.
Empresários de serviços (O “João”)
Qualquer dono de empresa de serviços (consultoria, tecnologia, agências) que fatura acima de R$ 100k/mês e hoje vive de uma retirada de dividendos “conforme a necessidade” terá que se readaptar. Aquele “pix da PJ para a PF” para pagar uma conta pessoal agora custará 10% mais caro. Isso exigirá uma disciplina financeira e um planejamento sucessório e proteção patrimonial que a maioria ainda não tem.
Conclusão: Organize hoje, economize para sempre
A taxação de dividendos não é o fim do mundo, mas é o fim da era do “improviso”. Ela vai separar os empresários que “cresceram desorganizados” e permaneceram assim, daqueles que buscaram a profissionalização.
Sua contabilidade generalista, “fria” e “distante”, não tem as ferramentas nem o conhecimento multidisciplinar (societário, tributário e contábil) para executar essa reorganização.
Você, que está em uma grande capital e já sente a “Dor da Desconfiança”, precisa de um parceiro que fale sua língua, entenda suas metas e lute pelo seu lucro.
A hora de solicitar uma Revisão Societária é agora. Esperar 2026 é como tentar comprar um seguro com a casa já pegando fogo.
FAQ: Perguntas Frequentes sobre a Taxação de Dividendos
Como reduzir o custo da nova lei?
R: A melhor forma é através da reorganização proativa. Isso inclui: 1) Distribuir lucros acumulados antes da lei mudar. 2) Reestruturar sua empresa (Ex: Holding) para que os lucros circulem entre PJs de forma eficiente. 3) Fazer simulações para escolher o regime tributário (Real vs. Presumido) mais vantajoso no novo cenário.
Posso escapar da taxação?
R: “Escapar” (sonegar) é crime. O que é possível e legal é “planejar” (elisão fiscal). Não será possível escapar 100% da nova regra sobre lucros futuros, mas é absolutamente possível proteger 100% dos lucros passados e reduzir drasticamente o impacto nos futuros através de uma estrutura societária inteligente.
Qual regime tributário é melhor?
R: Não há resposta pronta. Com a taxação de dividendos, o Lucro Real (que permite abater mais despesas) pode se tornar mais atraente para empresas que hoje estão no Presumido. A única forma de saber é através de uma simulação (cálculo comparativo) feita por um especialista com base nos seus números.



